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A comercialização do Mounjaro completou um ano no Brasil com R$ 13,54 bilhões em vendas e quase 3 milhões de pacientes atendidos. O desempenho da caneta à base de tirzepatida colocou a operação brasileira da Eli Lilly entre as dez maiores afiliadas da companhia no mundo e reforçou a relevância do país na estratégia global da farmacêutica.
Lançado nas farmácias brasileiras em maio de 2025, o medicamento registrou uma demanda acima das projeções iniciais da empresa. O crescimento levou a farmacêutica a reorganizar sua cadeia global de abastecimento para ampliar a oferta do produto no mercado brasileiro.
Atualmente, todas as apresentações do medicamento, de 2,5 mg a 15 mg, estão disponíveis no país.
Brasil ganha importância para a Eli Lilly
O desempenho comercial do Mounjaro elevou a participação da subsidiária brasileira nas operações globais da companhia. A expectativa da empresa é ampliar ainda mais essa posição nos próximos anos.
As projeções também indicam que a receita da operação brasileira deverá mais do que dobrar em 2026, na comparação com 2025. No ano anterior, o faturamento da subsidiária já havia mais que triplicado em relação a 2024.
O crescimento acompanha os resultados globais da Eli Lilly. No quarto trimestre de 2025, a farmacêutica registrou US$ 19,3 bilhões em receita, avanço de 43% sobre o mesmo período do ano anterior. Já no primeiro trimestre de 2026, o faturamento alcançou US$ 19,8 bilhões, representando crescimento de 56%, impulsionado principalmente pelos medicamentos destinados ao tratamento da obesidade e do diabetes.
Em novembro de 2025, a companhia também ultrapassou US$ 1 trilhão em valor de mercado, tornando-se a primeira empresa do setor de saúde a atingir essa marca.
Mercado brasileiro de canetas emagrecedoras segue em expansão
O avanço do Mounjaro acompanha a rápida expansão do mercado brasileiro de medicamentos para obesidade.
Dados da Nielsen indicam que as canetas emagrecedoras já estão presentes em 4,6% dos lares brasileiros. O segmento movimentou aproximadamente R$ 10 bilhões em 2025 e pode atingir R$ 50 bilhões até o fim da década.
Segundo informações da farmacêutica, os medicamentos lançados recentemente já representam mais de 90% da receita da subsidiária brasileira.
Concorrência deve aumentar com novos medicamentos
O mercado também passa por mudanças com o fim da patente da semaglutida no Brasil. A partir dessa abertura, a Anvisa aprovou diversos medicamentos genéricos e similares baseados no princípio ativo, ampliando a oferta de tratamentos disponíveis.
Estimativas do BTG Pactual apontam que a entrada desses novos concorrentes poderá acrescentar R$ 3,6 bilhões ao mercado brasileiro ainda em 2026, elevando o segmento para cerca de R$ 15,6 bilhões.
Fiscalização identifica medicamentos irregulares
O crescimento da demanda também tem sido acompanhado pelo avanço do mercado irregular de medicamentos.
Durante a Operação Heavy Pen, realizada pela Anvisa em conjunto com a Polícia Federal, foram apreendidos 3,5 quilos de tirzepatida em farmácias de manipulação distribuídas por 12 estados. De acordo com a fiscalização, esse volume seria suficiente para produzir mais de 1 milhão de canetas injetáveis.
A operação também identificou substâncias experimentais sem autorização regulatória, incluindo retatrutida e um glucagon ainda em desenvolvimento clínico.
Novos medicamentos reforçam disputa entre fabricantes
A estratégia da Eli Lilly para os próximos anos inclui a ampliação do portfólio de terapias para obesidade e diabetes. Entre os produtos em desenvolvimento estão a orforgliprona, atualmente em avaliação regulatória no Brasil, e a retatrutida, uma das principais apostas da companhia.
Enquanto isso, a Novo Nordisk também amplia seus investimentos no segmento. A empresa desenvolve terapias como CagriSema, Zenaglutide, Icodec, IcoSema e Ziltivekimab.
No Brasil, a farmacêutica anunciou investimento de R$ 6,4 bilhões para ampliar a fábrica de Montes Claros (MG), unidade responsável por aproximadamente 25% da produção global de insulina da empresa e que exporta para mais de 70 países.
Além disso, a companhia aguarda a análise regulatória da versão oral do Wegovy e mantém investimentos em pesquisa clínica no país. A concorrência entre Eli Lilly e Novo Nordisk também se estende ao campo jurídico, com uma ação movida pela farmacêutica dinamarquesa nos Estados Unidos envolvendo campanhas publicitárias relacionadas a medicamentos para obesidade.